sábado, 12 de outubro de 2013

Um Dia Te Desenhei



Em um evento de exposições de quadros, a advogada Luciene se espantou ao ver um quadro com a sua imagem. Como poderia alguém expor assim a sua imagem sem ao menos lhe notificar! Intrigada e aborrecida, foi até ao responsável do evento para lhe pôr a par da situação.


- Boa tarde! – Disse ela ao responsável.

- Boa tarde, moça. Em que posso ser útil?

- Você poderia me dar uma informação sobre um quadro?

- Sim, pois não. – Disse o homem.

- Muito bem. Antes de tudo, quero lhe informar que irei processar o responsável dele, pois sem o meu consentimento, ele pegou a minha imagem e expôs em um evento. Isso é grave e, portanto, irei tomar as medidas cabíveis, pois sou advogada.

- Muito bem moça. – Disse o responsável pelo o evento. – Tranquilize-se. Mais tarde averiguarei isto.

- Quero agora, moço. – Disse Luciene com um tom de cólera.

O homem cruzou os braços e, respirando bem fundo, e um pouco impaciente, pediu para que Luciene lhe mostrasse o quadro em que nela havia a sua imagem. Ao ver o quadro, o homem ficou admirado, pois a imagem era de uma semelhança inacreditável com a da moça. Apenas um grande artista inspirado o pintaria.

- Muito bem, moça. Devo afirmar que o quadro é de uma semelhança inconfundível com você. Louco eu seria se negasse este fato. Por sorte sua, e azar dele, o responsável deste quadro se encontra em meu evento. Vou leva-la até ele.

- Por favor. –Disse Luciene.

O responsável do evento levou então Luciene até ao homem que o havia pintado. Este estava com alguns amigos apreciando outras obras, e quando o responsável do evento o chamou, o homem quase caiu para trás.

- Posso falar com você, Fernando? – Disse ele.

Fernando aproximou-se em passos bem lento e visivelmente absorto com o que via.

- Muito Bem, Fernando. Esta senhorita alega que você tenha usado a sua imagem em nosso evento. Não posso de forma alguma negar, pois o que eu vi foi a sua imagem e semelhança. Deixarei vocês a sós para entrarem em um acordo. Com licença.

O homem se afastou e os dois conversaram.

– Você, como um profissional – Disse Luciene –, se é que posso lhe chamar assim, deveria estar ciente de que usar a imagem de outrem sem entrar em contato com este, sem estar com o consentimento deste, é crime. Como ousa usar minha imagem, moço?
Fernando olhou estupefato para a moça.  Seus olhos ardiam de surpresa e felicidade. Fez gestos inarticulados com as suas mãos. Fernando estava completamente fora de si. Esta súbita mudança de cor e de gestos foi causada pela a presença de Luciene. Era sim, a mesma pessoa que o inspirou em seu desenho. 

Mordeu o lábio inferior e disse:

- Não sei como lhe explicar isto! Na verdade nem sei se isto tem uma explicação.

- Para tudo há uma explicação, moço. Para tudo. – Disse Luciene.

Fernando olhava para ela admirado. Qualquer um que o conhecesse não o reconheceria naquele momento.

- Mas nem tudo há explicação. – Disse Fernando.

Luciene olhou para ele e disse:

- O que quer dizer? Diga moço!

- Quero dizer que nunca lhe vi pessoalmente, apenas sonhei com você.  – Disse Fernando olhando fundo nos olhos de Luciene.

Luciene olhou para ele com um olhar de desdém e disse:

- E você acha que eu vou acreditar nisto? Essa é a desculpa mais estúpida que eu já ouvi em toda a minha vida.

Fernando não tirava seus olhos dela.

- Fique ciente que amanhã – Disse ela seriamente – Enviarei a você um documento judicial. Espero que assine, e que em breve nos vejamos no tribunal. Boa noite!

Fernando ficou imóvel. Ao se afastar, Luciene disse a si mesma: “quem cala consente”.

À noite, em sua cama, Luciene não conseguia esquecer o olhar de Fernando para com ela. Ele parecia estar em transe. Não conseguiu proferir quase nenhuma palavra, apenas a olhava admirado.
No dia seguinte, Luciene abriu a sua gaveta e retirou algumas papeladas. Em um desses documentos que vasculhou, achou o que queria. Pegou-lhe e manteve a pretensão de se dirigir até a casa de Fernando que se localizava a 150 Km de sua capital. Estava disposta a ir até o final com este caso. Fosse o que fosse não iria desistir. A cidade onde ele morava ela conseguiu através da internet. Vestiu-se e, enfim, se dirigiu a ela.
“Que descarado”, dizia ela em tom de revolta. “Ele irá pagar caro por isso”.

Luciene só enxergava a escuridão naquela sinuosa estrada. A brisa gelada açoitava a face da moça. A chuva não tardaria a cair.

Enfim Luciene contemplou a placa de bem vindo da cidade. Gotículas de chuva começavam a cair do céu, visivelmente em luto. “Meu Deus! Que tempestade virá”, disse ela. De repente a chuva se desabou. Luciene se manteve dentro de seu carro até que a chuva se amenizasse. Sentiu mais ódio ainda de Fernando. Para ela, ele era o culpado de tudo isso. Era ele o infeliz, o sedutor barato, o homem que tinha contas a pagar com a justiça. O ódio por Fernando só aumentou naquele momento de reflexão de Luciene, quando a chuva deslizava por seu pará-brisa. A chuva aos pouco foi passando e Luciene, que se sentia esgotada pela a viagem que fizera, saiu de seu carro e pediu uma informação a um transeunte notoriamente simpático.

- Conheço sim, mocinha. – Disse o simpático Senhor após Luciene lhe pedir a informação. – Na verdade conheço quase todas as pessoas desta cidade. Morar em cidade pequena tem esta vantagem. Adoro fazer amizades com as pessoas. Não sei os outros, não é verdade! É gratificante para mim. As pessoas daqui são muito boas, minha filha. Nossa! Que maravilha é morar aqui.

 Luciene lhe olhava impaciente e completamente molhada. O simpático senhor não parava de falar.

- Mas o que é que você veio fazer nessas redondezas mesmo, minha filha?

Luciene ergueu suas sobrancelhas com ar de desprezo e disse novamente:

- Procuro por Fernando. O pintor.

- Ah sim, minha filha. Perdoe este velho tagarela. Muito bem.  Você pode seguir aquela rua ali e (...).

Depois de muito prosear, o simpático senhor detalhou perfeitamente o endereço de Fernando a Luciene, que já estava para explodir de impaciência.

A chuva novamente caia. Desta vez violentamente. Raios iluminavam o céu predominantemente negro. E a tarde estava apenas começando.

Enfim achou a casa de Fernando. Saiu de seu carro, com passos acelerados, e parou no alpendre da casa. Correu até a ombreira e bateu com certo ímpeto de violência. Porém, logo foi atendida por um garotinho de aproximadamente seis anos de idade que correu gritando: “vó, a moça do desenho está aqui!”. Luciene franziu o cenho, toda espantada. Logo a avó do garoto se aproximou da porta.

- Mas você existe mesmo! Como aquele rapaz teve a coragem de mentir para a sua mãe!

- Oh, você é mãe do Fernando? – Perguntou Luciene.

- Sim, minha filha. Mas queira entrar, por favor! Seja bem vinda a nossa humilde casa.

- Não minha senhora – Disse Luciene – Eu só vim aqui para deixar algo para ele. Já estou de saída e...

Luciene começou a sofrer um ataque de espirros.

- Entre, minha filha. Por favor!  Dói-me ver você neste vento frio.

- Tudo bem. – Disse Luciene entrando na humilde casa.

 - Você aceita um copo de chá com biscoitos, minha filha? – Perguntou a mãe de Fernando.

- Oh, não. Fico muito agradecida.

- Ah não – Disse graciosamente a bondosa idosa – Ninguém vem até a minha casa e deixa de comer os meus biscoitos.

- São deliciosos. – Disse o garotinho.

- Bom – Disse Luciene sorrindo para o garotinho –, sendo assim eu aceito.

- Onde está o Fernando? – Perguntou Luciene.

- Bom, minha filha; Fernando chegará apenas mais tarde. Ele iria resolver alguns negócios na cidade grande. Acredito que com essa chuva ele tardará a chegar.

Luciene começava a se arrepender por ter viajado para tão longe. Sentia-se que ficaria doente logo, logo. E, de fato, começou a se sentir febril.

Olhando ao redor da casa, Luciene contemplou diversos quadros pintados por Fernando. A maioria com a sua imagem. Estremeceu. Porém um quadro lhe chamou muita atenção: era de um casal visivelmente apaixonado sentado debaixo de uma linda árvore. No plano de fundo, havia um grande rio, e o sol, aos poucos, ia cedendo para a noite. Luciene se arrepiou ao ver aquele lindo quadro. Enfim, era de uma beleza indizível.

- Depois da morte de sua esposa, - Disse a senhora - Fernando nunca mais foi o mesmo de antes. O seu amor pela arte havia se evaporado. Não pintava mais nada e vivia cabisbaixo. Eu andava muito preocupada com ele. Porém ele voltou a ser aquela pessoa tão alegre como antes fora. E tudo isso começou quando ele pintou você; acordou em um dia muito inspirado e me pediu um lápis e uma folha de papel. Cerca de vinte minutos ele havia pintado você. Era sim, minha filha, o quadro mais lindo que ele já havia pintado. Mas o danado tinha me dito que nunca viu você, que apenas havia sonhado. Vou puxar aquela orelhinha grande dele.

Luciene se arrepiou toda. Aquilo era impossível.

A bondosa idosa, percebendo-se que Luciene estava cansada e visivelmente resfriada, ofereceu estadia para a moça.

- Não, senhora! Eu preciso ir. Obrigada pela a gentileza.

- Minha filha, você está sem condições. Durma aqui esta noite. Você pode dormir no quarto de Fernando. 

Ele poderá dormir com seu filho. Aliás, se ele ainda vier. A chuva só piora.

Luciene arregalou seus olhos e disse:

- Nem pensar!

A bondosa idosa sorriu amavelmente e propôs o seu quarto a ela. Luciene aceitou.
Luciene estava realmente bastante cansada. O toque de seu corpo naquela cama quente e macia lhe fez de súbito cair de sono.

Aproximadamente onze e meia da noite, Luciene sentiu uma mão morna lhe apalpar sua testa. Não conseguiu decifrar o rosto, pois estava delirando de febre. Subitamente voltou ao seu pesado sono. Luciene sonhou a noite inteira com aquele belo quadro que estava na sala de estar da casa.  O quadro havia mexido com seus sentimentos. Aquela imagem soava paz, ânimo para se viver. Luciene não admitia, mas já se sentia angustiada, sufocada por seu trabalho. Já nem se dedicava mais a viver a vida. Aproveita-la como se deve aproveitar.

 Ao amanhecer o dia, Luciene se sentiu em sua casa; só se deu por conta de que não estava quando o raio do sol emitiu uma luz perante a janela nos seus olhos inchados de tanto dormir. Sentia-se bem melhor. Levantou-se e se dirigiu até a sala de estar, onde a Senhora tricotava alguma roupa.

- Bom dia! – Disse Luciene.

- Oh, Bom dia, minha filha. Como foi a sua noite? Dormiu bem? Vejo que está bem melhor, graças ao nosso glorioso bom Deus.

- Sim. Obrigada. Sinto-me bem melhor sim.

- Venha. Senta-se. Tome este café.

- E Fernando... chegou ontem de viagem?

- Sim, minha filha. Chegou tarde da noite. Preocupou-se muito quando eu disse que você estava enferma.

Luciene lembrou-se do toque da mão em sua testa. “Provavelmente foi ele”, monologou.

- E onde ele se encontra neste momento?

- Ele provavelmente está no seu cantinho predileto; sentado na beira do píer a pensar. Ah, lá está ele como eu realmente imaginava. – Disse a bondosa idosa olhando pela a janela.

- Posso falar com ele? – Disse Luciene.

- Oh, sim querida. Vou levar você até lá.

- Não precisa. Deixe-me ir sozinha. – Disse Luciene.

- Tudo bem querida. Obrigada por refazer a vida do meu filho. Não tenho palavras para expressar o meu agradecimento por você. Os seus olhos, minha filha, exprimem o mesmo afeto que a do desenho. Não sei como explicar isso. Foi, com certeza, a maior obra que meu filho desenhou.

Luciene se emocionou com aquelas palavras da bondosa idosa. Arrepiou-se. Fernando não poderia ter inventado aquela historia.

Chegando ao píer, Luciene viu Fernando jogando pedras no rio e cantarolando alguma musica que ela não conseguiu decifrar. Aproximou-se dele e disse:

- Olá!

Fernando olhou para moça com o coração transbordando de felicidade.

- Olá – Disse ele – Então você veio!

- Sim. Para esclarecer algumas dúvidas.

Fernando olhou fundo nos seus olhos e disse:

- Estou lhe ouvindo.

- Não pense que eu cairei tão fácil assim. – Disse a moça subitamente. - De onde você me conhece, Fernando? Por favor, me diga.

- É algo divino, Luciene. Não me peça explicações, por favor. Deus colocou você em meus sonhos, e o próprio Deus planejou para que nós nos conhecêssemos.

Luciene se mantinha cética.

- Eu jamais exporia a imagem de alguém sem pedir a permissão. Sonhei com você á dois anos atrás, Luciene, e de lá pra cá nunca havia exposto o seu quadro, pois esperava um dia, de alguma maneira, encontrar você. Havia desistido, por isso expus naquele dia. Mas te encontrei Luciene. Você não sabe o quanto eu te procurei. Você pode achar que é loucura, mas viajei a diversos lugares procurando por você. Diversos, Luciene. Em meu sonho você parecia ser tão real. Agora vejo que realmente você é. Você é real, Luciene. E mal posso acreditar nisso. Você é tudo o que eu quero para minha vida.

Luciene virou as costas para Fernando, e disse:

- É difícil acreditar nisso. Ponha-se no meu lugar.

- Ponha-se no meu lugar também, Luciene. Olhe profundamente nos meus olhos e me diga se estou mentindo. Eu te amo.

Fernando segurou a mão de Luciene e caminharam em direção a uma linda árvore.

Luciene já não conseguia esconder o seu sentimento. Sim, Luciene também estava visivelmente apaixonada por Fernando.

Da janela da casa de Fernando, o garotinho olhou admirado para aquela cena e disse:

- Veja Vovó. Aquela cena do papai e á moça juntos é igual ao quadro que o papai desenhou.

A idosa olhou para o quadro em que Luciene havia sonhado e tanto admirado, e disse:

- Às vezes, meu filho, Deus desenha nossos destinos em nossos próprios sonhos.

Por Patrik Santos

Paixão Platônica


  

Valentina era uma garota sorridente, de alma pura e um coração sonhador. Porém cheia de complexos, vivia no seu próprio mundo. O mundo que ela criara para fugir de sua realidade, realidade que nada tinha a ver com o seu mundinho particular. Aos seus olhos sua realidade era triste, cheia de privações, quase nunca saia de sua casa. Poucos amigos. Mas a sua alegria diante da vida era imensa, apesar de todas as suas privações. Gostava de fazer amizades, não que ela tivesse esta facilidade, mas se tivesse a oportunidade, não dispensava. Quando Valentina saia do seu mundo de sonhos, onde ela era sempre a mais linda, exuberante e amada, onde vivia as mais lindas e incríveis historias de amor e amizade, só restavam os seus complexos.  Se olhava ao espelho e se sentia feia, vazia, sozinha, sem graça. Percebia que toda a exuberância que ela colocava sobre si, no seu mundo de sonhos, não era realmente como ela se via quando aterrissava no seu mundo real. Valentina não era feia, mas era assim que se sentia; e se alguém a elogiasse se sentia ofendida, pois achava que estavam com sarcasmos com ela. Mas Valentina, tão romântica como era não parava de sonhar, e sonhar com um grande amor. Um amor que a aceitasse como realmente ela era, ou melhor, como ela realmente se via. Mas Valentina, sempre que se apaixonava por alguém, não se sentia bonita ou boa suficiente para ele. Sempre se sentia inferior a outras garotas. Ficava encontrando defeitos em si mesma e qualidades nas outras, e chegava a conclusão que o tal garoto nunca a notaria ou se interessaria por ela, pois não tinha a beleza que ela via nas outras. Assim ela pensava.

Certo dia, por ímpeto, Valentina resolveu ir dar uma caminhada no calçadão que ficava a uns cinco minutos da sua casa. Valentina começou a sua caminhada de cabeça baixa pensando na vida. Talvez pensando nos seus complexos, esses inúmeros complexos que tanto lhe fazia sofrer. De repente, Valentina sente um impacto. Tinha dado um esbarrão em um carinha que, ouvindo suas músicas preferidas, também andava distraído. Ambos pediram desculpas pelo o esbarrão. Valentina, com um sorriso meio tímido, disse:  “Não precisa pedir desculpas, a culpa foi minha. Estava um pouco distraída”. Ele, porém, com humildade, estendeu a mão e disse: “ficamos assim; nós dois estávamos distraídos”.  Os dois sorriram e se olharam profundamente como se o tempo tivesse parado para os dois.
Foi amor, paixão, tudo a primeira vista. Ele era o garoto dos seus sonhos: branco, alto. Só lhe faltava os olhos azuis para ser o príncipe que imaginara.
A partir desse dia, Valentina sempre iria caminhar, e sempre com o intuito de lhe encontrar, pois estava completamente apaixonada. E só um sorriso seu, um olhar, nem que fosse aquele de canto de olho a deixara realizada e completamente feliz. Valentina, com seu jeito meio tímido, meio extrovertida, logo conquistou a sua amizade. Ele sempre a esperava com um sorriso e um abraço carinhoso. Mas o abraço não era o bastante para ela, pois queria mais, muito mais. Queria o seu amor, seus carinhos, seus beijos, seus segredos. Ficava se imaginando beijando os seus lábios e o quanto seria bom ter ao seu lado, e como seria maravilhoso poder lhe chamar de seu... seu namorado.
Seus sonhos com ele eram infinitos, mas não tinha coragem de dizer a ele o que sentia, pois além de todos os seus complexos, lhe pesara agora o medo de perder o que já tinha conseguido; sua amizade.
Valentina então resolveu lhe escrever uma carta onde lhe contava todo o amor, toda a paixão que por ele sentia. Dizia assim:

Oi. Preciso lhe contar um segredo. Vou ser bem direta, não vou ficar lhe enrolando não. Eu sou completamente apaixonada por você. Não me pergunte como, quando ou por quê. Não sei explicar. Simplesmente aconteceu. Não entendo como você nunca notou. Será que sei disfarçar tão bem assim? Eu sei que você deve achar isso estranho. No mínimo inusitado; mas eu tinha que falar, já não podia mais guardar esse amor dentro de mim. Toda vez que você me abraçava, ou se aproximava de mim, eu tremia. Meu coração batia a mil por hora, as mãos gelavam e eu sentia aquele friozinho na barriga. O sorriso de felicidade que eu não conseguia segurar. Eu sei que nem me nota, não como eu gostaria, você já me olhou tantas vezes, mas não como eu queria. E quantas vezes nos abraçamos, mas a sua emoção não era a mesma que a minha.

Valentina leu e releu a carta várias vezes, mas não teve coragem de entrega-la. Ela poderia sim ter sido feliz com seu amor platônico, mas jamais saberá, pois perdeu a oportunidade de descobrir.
Quantas vezes, por medo de um não, perdemos a oportunidade de sermos felizes. 

De Gleyce Morena 

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

O Dia Mais Feliz da Minha Vida




Ele chegou tão cedo naquele dia.  De fato me surpreendeu, pois ele só voltaria para a casa na semana que vinha. Sentou-se no nosso sofá e começamos a conversar como há anos não conversávamos. Pediu-me uma xícara de café e alguns biscoitos; ele simplesmente adorava. Disse-me as novidades do seu trabalho. Sobre as viagens que realizou; sobre a distância que sempre nos afastava e se lamentou muito chorando em meu colo. Advertiu-me que nunca, jamais me esqueceria; e que se algum dia, algo de grave acontecesse, para que eu não me desesperasse, pois ele estaria sempre do meu lado, fosse o que fosse. Abracei-o amorosamente e lhe pedi para que nunca mais falasse sobre isso, que ainda viveríamos muito, que sorriríamos muito e que ainda passaríamos muitos dias felizes como aquele, em que estávamos vivendo. Ele, de certa forma, concordou comigo e nos abraçamos mais forte ainda. “Não sei se você sabe, amor...”, disse eu a ele, “amanhã faremos quarenta anos de casados”. “E como eu poderia esquecer isso, meu amor? Foi por este e outro motivo que justamente eu cheguei cedo de viagem”. “Ora”, Disse eu a ele, “e que outro motivo é este, posso saber?”. “Saberás no final do dia”, disse-me ele com um sorriso entremeado com uma breve tristeza.
Posso afirmar: aquele foi o dia mais feliz da minha vida. Relembramos, sentados no banco do jardim, todos os lindos momentos em que vivemos. O dia que nos conhecemos; o dia em que ele, todo tímido, pediu-me em namoro para os meus pais que o olharam com os olhos brilhando reconhecendo que ele era uma ótima pessoa; o dia do nosso casamento, marcado para sempre em nossas vidas; os nossos lindos filhos, todos casados e felizes e o nascimento de nossos netos, nossa razão de viver.
Nem percebemos o tempo passar. A noite sorria e brilhava para a gente. Ele colocou a nossa música de casamento para dançarmos. Dançamos divinamente, parece que tudo aquilo era a primeira vez. A primeira vez que dançávamos. A primeira vez que nos beijávamos. Choramos juntos e nossas lágrimas se uniram. Tinha o sabor do amor. Tudo ainda estava vivo dentro de nós; principalmente o amor, que nunca morreu entre nós dois.
Foi quando de repente ele me pediu mais biscoitos e fui pega-los. Ao voltar ao nosso jardim, vi apenas a cadeira de balanço vazia, sem ele. Ela ainda estava balançando. Os biscoitos e o café, que eu havia trazido ainda na primeira vez, estranhamente ainda estavam lá. “Que estranho, ele os comeu”, disse eu. “Amor! Amor! Onde está você?”. Foi quando o telefone tocou, e eu corri para atendê-lo. Ao atendê-lo, recebi a notícia de que o avião de meu amor havia caído.

Por Patrik Santos

Nunca vou lhes abandonar




O amor de Luciana e Osvaldo estava aos poucos morrendo. Luciana sempre reclamava do modo frio como Osvaldo a tratava quando ela queria falar sobre o relacionamento deles. Osvaldo ainda amava sua esposa. E apesar de não demonstrar o seu sentimento por ela, daria até a sua vida pela a pessoa a quem ele mais amava.
A filha do casal, Diana, de quatro anos, amava seus pais mais que tudo nesta vida. Mas por um triste fim veria o pai e a mãe se separarem. Em uma tarde, Luciana chamou Osvaldo para uma conversa particular.
- Infelizmente já não podemos viver mais juntos, Osvaldo. Estou amando outra pessoa.
Osvaldo, com o coração partido, pegou nas mãos da sua esposa e disse:
- O que fiz para você deixar de me amar? Aponte-me o erro, Luciana.
- Simplesmente deixei de te Amar, Osvaldo. E acho que nunca devíamos ter se casado.
Aquelas palavras vieram como uma flecha envenenada no coração de Osvaldo. Tentou engolir a sua saliva, mas não conseguia.
- Não podemos nos separar, Luciana. E a nossa filha? E o que criamos juntos? – Disse Osvaldo.
- O quê a gente criou, Osvaldo? Nós só criamos intrigas e discórdias. A nossa filha foi à única maravilha que tivemos. Não, Osvaldo. Sinto muito, mas não te amo mais. Como eu lhe disse antes, estou amando outra pessoa e espero encontrar nele a felicidade que não encontrei em você.
Aquela foi a primeira vez que Luciana viu Osvaldo chorar. Ele se debruçou na mesa e soluçou diversas vezes.
Osvaldo tinha que suportar tudo aquilo. Da sua janela viu a sua esposa e sua filha se afastar dele. Talvez para sempre. Para nunca mais vê-los.
O divorcio foi finalmente marcado. Osvaldo assinou os termos com uma triste solidão.
Ao entregar o termo ao advogado, este viu que no papel havia vestígios de lágrimas.
 Osvaldo nunca mais iria ver a sua esposa. Sua filha veria apenas nos finais de semana. O seu amor foi tão bem construído, no entanto faltaram colunas para lhe sustentar. Tudo desmoronado. Seus sonhos foram dissipados por um sopro insólito. E agora? Onde viver? Como viver!
Os anos se passaram e Osvaldo entrou em uma crise financeira muito desagradável. Muitos diziam que era por causa de sua bebedeira, mas devemos incluir também os jogos e as apostas que fazia. Osvaldo tornou-se um dependente químico de várias substâncias destrutivas. Se definhou de uma tal maneira que os seus olhos se afundavam e suas rugas já ficavam perceptíveis. Muitos o viam jogado em praças e lojas. Às vezes defecado e bêbado. Porém nunca deixou de ir visitar a sua filha. Luciana o olhava triste, pois seu ex esposo estava completamente acabado. Não permitiu que sua filha saísse mais com ele, pois este não tinha mais condições de leva-la a lugar nenhum. Ele ficava apenas em frente da casa de Luciana, que já havia se casado novamente.
“Nunca vou os abandonar”, dizia Osvaldo para a sua filha. “Nem na minha morte irei abandonar você e sua mãe”.
E o provável um dia aconteceu. Osvaldo, completamente embriagado, atravessou uma rua e foi atingido por um caminhão. O acidente chocou vários transeuntes. O rosto de Osvaldo ficou irreconhecível. Teve a sua cabeça esmagada.
Em seu amor faltou às colunas. E sem elas, Osvaldo tombou.
O corpo de Osvaldo foi enterrado por muita comoção. Luciana não conseguia acreditar que aquilo tinha acontecido. Ela viu como Osvaldo ficou após o acidente. Luciana já não conseguia se lembrar do rosto de Osvaldo. Apenas quando via uma foto ela se recordava; mas quando se lembrava do modo como Osvaldo ficou Luciana esquecia-o novamente.
Por diversas vezes Luciana se comprometeu em ajudar Osvaldo. Mas o homem não precisava de uma clínica, precisava do amor de Luciana para se recuperar. Osvaldo precisava das colunas. Se sem elas, tudo desmoronou.
Um ano após a morte de Osvaldo, Luciana se envolveu em um acidente terrível. Seu carro capotou diversas vezes e parou em baixo de um caminhão inflamável. Luciana, imóvel sem poder se mexer, esperava por socorro, mas este não vinha. Ninguém queria se arriscar em ir salvar a mulher. De repente, quando Luciana já não acreditava que viria alguém para lhe ajudar, uma mão, que reconheceu de súbito, a mesma mão em que um dia ela pôs um anel e disse “aceito”, lhe cedeu para que ela saísse daquele lugar. Quando olhou para a face do homem, Luciana pôde ver o rosto de Osvaldo. Aquele mesmo rosto com que um dia ela se apaixonou. O homem sorriu para ela e disse: “Eu disse a Diana que nunca eu os abandonaria. Eu os amo”.
Luciana, depois daquele dia, nunca mais esqueceu o rosto do amor de sua vida.

Por Patrik Santos

Os Detalhes do Nosso Amor




Em um programa de televisão, Claudio, que era casado com Rosana há um ano e meio, teria que saber de tudo a seu respeito. Sua comida preferida, a música que ela mais curtia, a roupa que ela mais gostava, enfim, estaria em jogo se Claudio realmente conhecia a sua esposa. O nome do jogo era “Será que você me conhece?”.

- Estamos com o casal Claudio e Rosana, e vamos saber se eles realmente se conhecem. – Disse o apresentador do programa.

- A primeira pergunta será destinada a Rosana. Muito bem Rosana, qual a comida predileta do seu esposo Claudio?

Rosana respondeu corretamente aquela pergunta. Agora a pergunta seria destinada a Claudio.

- Muito bem Claudio; Em que mês você conheceu a sua esposa?

Claudio olhou para um lado, olhou para o outro e disse que não sabia. Rosana ficou muito chateada, pois o outro casal estava na frente do placar.

Rosana acertou a segunda pergunta que lhe foi destinada.

- Rosana sabe tudo – Disse o apresentador. – Agora Claudio, prepare-se: você e Rosana se casaram há um ano e quantos meses atrás?

Uma dúvida tomou conta de Claudio. Não sabia se era seis meses ou cinco.

- Cinco. – Disse ele.

- Resposta errada, Claudio. Assim o outro casal lidera o nosso placar.
Rosana ficou muito desapontada com o seu esposo. Sentiu vergonha de estar naquele programa. E o pior de tudo: viu como o seu esposo não se importava com os detalhes do relacionamento deles. “vai ver ele nem me ama”, monologou.

- Muito bem. Agora vamos para mais uma pergunta. E agora vamos começar com o Claudio que até agora não acertou nenhuma pergunta. Reaja Claudio! – Disse o apresentador.

- Muito bem Claudio: qual a música que foi tema do namoro de vocês?

Rosana sorriu vibrantemente. Tinha certeza de que Claudio sabia aquela resposta, pois o próprio Claudio tinha dito que aquela música seria eterna para os dois.
Claudio pôs as mãos em sua cabeça e pensativo, respondeu:

- Sacrifice de Elton John.

- Resposta errada. A música tema do namoro de vocês foi Just the way you are de Barry White. É uma pena, mas com esta pergunta incorreta de Claudio o casal está desclassificado e a vitória vai para o casal Vitor e Fernanda.

Rosana não acreditou.

- Sacrifice? – Disse ela no carro. –  Provavelmente essa música foi tema de um outro namoro seu. E com certeza foi mais importante que o nosso.

- Ora, Rosana, aquilo é só um programa boboca. Eu jamais deveria ter aceitado ir naquela merda.

- Pra mim foi muito útil. Agora eu sei o quanto você se importa conosco. Você nem repara para o meu corte de cabelo. Aposto que ainda nem viu a tatuagem que fiz com seu nome em meu tornozelo.

De fato Claudio nunca havia tido reparado naquela tatuagem. Era sim, uma prova de amor que ela tinha por ele. Ele, no entanto, nunca provava o seu amor para ela. Preocupava-se apenas com o seu trabalho. Nada mais. Passava a semana toda em seu trabalho e no fim de semana, dia que poderia muito bem passar com a sua esposa, Claudio ia para um jogo de futebol do seu time de coração.
Rosana ficava abalada com as atitudes de seu marido. Ao sair de seu trabalho, Rosana sempre ia para um bar bem próximo dele. Contava os detalhes do seu casamento paras as suas amigas e estas ficavam chocadas com o que ouviam. Algumas davam opiniões benéficas e outras opiniões maléficas. Vanessa, que 

Rosana a considerava como a sua melhor amiga, disse que o Rafael, ex namorado de Rosana, estava na cidade e estava louco para se reencontrar com ela.
Rosana disse que não era bom um reencontro com o rapaz, visto que ela estava casada e seu relacionamento estava passando por um certo declínio.
Mas de repente surge Rafael no bar. Sim, estava tudo programado pelas moças. Rafael estava muito diferente desde á ultima vez que Rosana lhe viu. Estava mais maduro e muito bem vestido. O coração de Rosana palpitou quando o viu. As amigas de Rosana se afastaram e Rafael e Rosana começaram a se falar.

- Você não tem noção do quanto que eu te procurei Rosana. – Disse o rapaz.

- Você sumiu Rafael.  – Disse Rosana.

- Sim Rosana. Mas você sabe por quê. Tive que viajar a negócios. Mas durante este tempo nunca consegui esquecer você. Sei que você se casou, e eu sei que cheguei tarde demais, mas quero dizê-la, Rosana, que o meu sentimento por você ainda continua firme.
Rosana e Rafael tiveram um breve relacionamento. Mas por destinos que a vida nos proporciona, Rafael se afastou de Rosana. Mas agora estava ali, pedindo para que ela lhe desse outra chance.

- Não posso Rafael. Estou casada. Não posso. – Disse a moça.

- Vou lhe dar um tempo para pensar. Eu entendo. Você pode pelo ou menos me dar este tempo para que você possa pensar melhor?

- Darei sim Rafael.

- Sabe, - Continuo Rafael – Lembro com detalhes dos momentos que ficamos juntos.
Rosana lhe olhava com os olhos brilhando.

- Você lembra onde foi o nosso primeiro beijo? – Perguntou ela.

- Claro que sei. Foi na saída da faculdade.

A resposta estava correta. Claudio jamais saberia onde foi que eles se beijaram pela a última vez.

- E o meu sabor de sorvete preferido? – Perguntou novamente ela.

- Romeu e Julieta. Eu e você.

Novamente o rapaz estava certo.

Rosana respirava fundo. Alguma coisa ainda estava viva entre os dois. Rosana deu uma semana para que os dois voltassem a se encontrar. O encontro seria no mesmo lugar. Prometeu a ele que ela daria a resposta que ele tanto almejava.
Chegando em sua casa, Rosana se deparou com Claudio e diversos amigos dele sentados na sala assistindo um jogo de futebol. Rosana nem deu boa noite, foi direto para o seu quarto. Assim que os amigos de Claudio saíram, os dois começaram com uma breve discussão.

- Já não aguento mais Claudio. Para mim chega!

- Por que está dizendo isso meu bem? Não vai me dizer que foi por causa daquele programa idiota que a gente foi!

- Não é só por isso. Diversos fatores me levaram a conclusão que devemos dar um tempo. Você não liga pra gente, Claudio. Eu sinto isso. Você só pensa em você mesmo.

- E você? Isso é hora de chegar em casa? Quantos defeitos seu eu não relevo? Você não os considera também?

A discussão dos dois começou a se agravar.

- Irei para a casa de minha mãe, Claudio. Dê-me um tempo. – Disse Rosana.

- Tudo bem Rosana. Mas saiba que eu estarei aqui esperando você. Você sabe que eu te amo.

- Não, Claudio. Não sei. Tchau!

Claudio ficou atordoado com a decisão da moça. De fato, ele estava sendo muito egocêntrico. Só pensava em si mesmo. Faria mudanças para que Rosana notasse como ele mudou. Passaria a perceber os detalhes dela. As roupas, o corte de cabelo, a sua comida predileta. Sim, ele teria que mudar o seu jeito ou, no entanto, teria que ver a sua amada se afastar para sempre dele.
Mas Rosana estava completamente decidida com o quê queria. Não queria mais Claudio. Queria o divórcio. Dois dias depois, Rosana ligou para Claudio lhe dizendo que os dois não voltariam mais. Que ela estava decidida com aquilo. Os defeitos do marido e o seu antigo amor foram os motivos para o término do casal.
No dia seguinte, Rosana foi passear em um shopping com a sua mãe. Chegando na praça de alimentação, Rosana viu uma cena que jamais imaginaria ver. Rafael estava com a sua melhor amiga nos maiores beijos e abraços. Que decepção! Rosana olhou para aquela cena chorando de raiva. Pediu para a sua mãe que saíssem imediatamente daquele lugar. E agora! Rosana pensava em tudo menos no seu esposo Claudio. “ São todos iguais”, disse ela. “ Poderia ser o Claudio ali”, disse.
Voltou para a sua casa, porém decidida em começar uma nova vida. Com Claudio não seria mais. Ela estava certa disso.

No dia seguinte, Rosana foi pegar os seus pertences na casa de Claudio. Abriu a porta lentamente, pois tinha as chaves, e viu que Claudio estava sentado na mesa com os seus amigos. Novamente ficou braba. 

Mas permaneceu ali, para ouvir a conversa deles.

- Aceite amigo. – Disse um deles.

- Não posso. – Respondeu Claudio.

- Provavelmente ela já está com outro. Fez todo este teatro para se sair de você.

- Não pode ser. Eu insisto que foi culpa daquele maldito programa de televisão.

- Venha! Vamos sair. Tem várias garotas que querem te conhecer. A Tatiana já está sabendo que você está solteiro.

- Não estou solteiro, cara. Eu nunca traí e jamais trairia a minha esposa, pois a amo. E se ela não me ama mais, farei tudo, o possível e o impossível para tê-la novamente comigo. Desistam! Vocês não estão se comportando como amigos.

Rosana estava escutando tudo aquilo com lágrimas nos olhos. Sim, ela estava sendo injusta com Claudio. Um programa de televisão não poderia ser o responsável pelo término do romance deles.  Foi então que percebeu que quão supérfluos são os detalhes de um relacionamento. Rafael, seu antigo namorado, sabia de todos os detalhes de quando namoravam, porém não passava de um traidor. Claudio, seu esposo, não se recordava dos detalhes, porém jamais a trairia, pois a amava.
Rosana entrou na sala e todos os amigos de Claudio lhe olharam admirados.

-  Retirem-se todos, por favor. – Disse ela.
Claudio, com a cabeça baixa, não disse nada.
Assim todos saíram.

Rosana se aproximou de Claudio, e Claudio disse:

- Você poderia ter pelo ou menos dado boa noite, pois...

Antes que Claudio terminasse de proferir o quisera, Rosana deu-lhe um longo beijo apaixonado.

- Desculpe por me importar com detalhes, Claudio. – Disse ela.

- Desculpe por não prestar a devida atenção que você merece, meu amor.

No dia seguinte, Claudio e Rosana foram ao bar onde Rosana costumava ir com as suas amigas. Rafael estava lá, lhe esperando. Rosana sentou-se na mesa de Rafael, e este lhe disse:

- Pensei que você não viesse mais.

- Só vim para lhe apresentar meu esposo que amo.

Rafael quase caiu da cadeira.
Depois de alguns minutos, Rafael se afastou dizendo que iria ao banheiro. Não voltou mais.
Claudio também havia sumido, porém logo surgiu no palco onde um evento de karaokê ocorria. Pegou o microfone e cantou a linda canção tema do namoro dos dois: Just the way you are de Barry White.

Por Patrik Santos

Sentado na Praça




A jovem Glória, mãe de Adriana, voltaria a visitar, depois de quinze anos, uma pequena cidade em que quando adolescente sempre viajava para passar suas férias.
Pouca coisa havia mudado por ali. Glória se lembrava de cada lugarzinho que viveu naquela cidade durante a sua adolescência. Contava toda a sua lembrança para a sua filha de doze anos que passeavam juntas a pé pela cidade.
Ao passar por uma praça, que era um dos lugares que Glória mais se lembrava, viu um homem que estava sentado bem no banco da praça e que se recordou vagamente. Tentou buscar em suas reminiscências de onde o conhecia. O homem estava com uma aparência impecável e parecia estar vestido para um encontro.
Enfim lembrou-se de onde o conhecia. Sim, Glória e ele namoraram durante um mês em que ela passou na cidade. E aquele mês foi o último de sua adolescência por lá. “Muito tempo se passou”, disse ela a si mesma. “Ele mudou pouca coisa”.
Adriana olhou para aquele homem sentado no banco da praça, e perguntou o seguinte para a sua mãe:

- Conhece aquele homem, mãe?

A mãe olhou para a filha que a interrogava seriamente e disse:

- Não filha. Não me lembro.

- Os olhos dele são tão tristes. Posso ir até lá e perguntar qual o motivo de sua tristeza? – Disse a menina.

- Não filha. Melhor não. Deixe-o para lá.

Adriana ficou comovida com aquele olhar do homem. Pensou naqueles olhos tristes o dia todo. Não conseguia esquecê-lo.
Glória também pensou nele o dia todo. A praça era o local preferido do casal quando namoravam. Naquele banco, em que ele estava sentado, era o cantinho em que eles sempre se encontravam. Aquele banco era o ponto de encontro do casal. E foi naquele banco que Glória se despediu do homem. Foi lá que ele á viu pela a última vez.
Passaram lindos momentos juntos. Momentos que ficaram gravados para sempre na memória de Glória. Foi difícil de esquecê-lo. Seus pais a proibiam de ver aquele rapaz. Não queriam que aquele namorinho de verão fosse adiante. Tinham projetos para Glória. Projetos que foram conquistados graças á eles. Porém Glória estava apaixonada por aquele rapaz e não aceitava as ordens dos seus pais. Queria ir adiante com ele, não queria jamais abandona-lo. Foi quando os pais de Glória tomaram medidas drásticas. No mesmo dia em que Glória prometeu aos seus pais que jamais  abandonaria ele, seus pais arrumaram as malas e voltaram para a terra natal. Prometeram a Glória que nunca mais voltariam para aquela cidade. E foi o que aconteceu. Glória sumiu do homem. Porém nunca esqueceu aquele romance de verão.
Antes de deixar a cidade, Glória marcou um encontro de despedidas com o rapaz. Tentou se lembrar do que falou para ele naquele dia, porém não conseguiu. Tinha que esquecer tudo isto, afinal estava casada e amava o seu esposo e sua filha.
No dia seguinte, Adriana e algumas amigas passeavam naquela mesma praça; e quando Adriana perguntou se elas conheciam aquele homem de olhar triste, elas ficaram estranhas e com medo.

- Minha mãe disse para eu não chegar perto dele. – Disse uma.

- Ele é apenas um louco. Minha mãe me disse que já faz quinze anos que ele fica sentado nesta praça dando milho aos pombos. É inofensivo. – Disse outra.

- Vou até lá falar com ele. – Disse Adriana.

- Melhor não Adriana.

- Ela é louca. – Disse as amigas.
Adriana aproximou-se do homem que estava novamente muito bem vestido e disse:

- Olá. Tudo bem?
O homem a olhou e notou nela uma forte semelhança com alguém que ele desejava muito se encontrar novamente.

- Olá. Tudo bem sim minha filha. – Disse o homem.

- Você parece triste. Posso saber o motivo da sua tristeza?
O homem olhou admirado e se espantou com a preocupação da menina. Olhou em seus olhos e disse:
- Sim minha filha. Vou lhe contar: Á quinze anos atrás eu conheci uma pessoa que eu posso dizer que foi o único amor da minha vida. Mas ela foi embora de mim. Nunca mais eu a vi desde então. Porém, antes dela partir, ela me disse para que eu a esperasse no mesmo lugar em que nos conhecemos que um dia ela voltaria para mim.

De Patrik Santos

Nunca deixei de te amar


 


1987
O telefone de Katie toca. Fazia semanas que não escutava este som. Sentia-se esquecida até pela a sua família.
Lembrou-se tristemente de uns dois meses atrás quando o seu telefone tocava diariamente, e nessas constantes ligações, era a pessoa a quem ela mais amava no mundo.
Essa pessoa, no entanto, havia sumido da sua vida inexplicavelmente. Mas agora estava no telefone querendo falar com Katie.
- Alô, Katie – Disse a voz pelo o telefone.
- Eduardo? – Disse Katie espantada.
- Oi Katie. É ele mesmo. Queria muito falar com você.
- Acho que já não temos mais nada para se falar, Eduardo. Adeus!
- Não Katie. Por favor. Não desligue o telefone. Eu preciso muito falar com você. Por favor.
- O que você quer Eduardo! – Perguntou a moça na iminência de um agudo choro.
- Preciso falar com você, Katie. Mas tem que ser pessoalmente. Poderíamos nos encontrar?
Katie hesitou por uns segundos, mas enfim, precisava de uma explicação. Uma pessoa não pode se afastar da outra sem ao menos lhe dar uma razão. Certo que muitas pessoas no mundo terminam uma relação sem ao menos dizer adeus. Apenas somem de nossas vidas. Mas no caso de Eduardo era completamente diferente; ele sumiu da moça no auge do relacionamento sério que eles tinham. Eles Haviam trocado até ideias sobre um possível noivado. Diziam abraçado um ao outro que queriam ter um casal de filhos e inclusive cogitavam nomes para estes. Sim, Katie precisava de uma explicação pelo o término de seu relacionamento.
Enfim marcaram um encontro no dia seguinte em um restaurante no centro da cidade. Eduardo foi o primeiro a chegar. Estava sentado na mesa com uma boina cor cinza. Vestia uma longa camisa social de mangas compridas. Diversas vezes o garçom viera a sua mesa para lhe servir, mas este dissera sempre que só pediria quando a sua companhia chegasse.
Enfim Katie chegou ao restaurante. Ficou nas pontas dos pés para procurar Eduardo. Quando Katie o enxergou teve um choque em seu corpo. Eduardo não era o mesmo homem de antes. Aproximou-se da mesa, lhe cumprimentou e sentou-se.
- O que houve com você Eduardo? Por que está tão abatido assim?
O rapaz segurou as suas mãos, mas Katie o repeliu subitamente. As mãos do rapaz estavam tão geladas que parecia que estava morto. Os olhos de Eduardo começaram a ficar úmidos, e algumas lágrimas eram perceptíveis em seus olhos.
Eduardo sempre mantinha a sua cabeça baixa. De repente olhou tristemente para Katie, e as lágrimas cederam-se como uma cascata; tirou sua boina e Katie teve novamente outro espanto. Os cabelos de Eduardo estavam tão ralos e seu rosto tão abatido como se estivesse nos seus últimos dias de vida. Olhou no fundo dos olhos de Katie e disse-lhe:
- Katie, eu jamais te esqueci. Nunca deixei de te amar. Meus planos com você não foram palavras ao vento. Foram palavras sinceras de um sentimento que eu jamais havia sentido por alguém. Até encontrar você.
Katie lhe olhava com uma felicidade indizível. Seus olhos também começaram a lagrimar.
- Por que você sumiu de mim, Eduardo? Eu também nunca te esqueci, e nunca, jamais me afastaria de você. Jamais.
De repente um súbito ataque de choro se apossuiu de Eduardo. Katie, preocupada, pediu ao garçom um copo de água com açúcar. Katie acariciava os finos cabelos de Eduardo.
- O que há com você Eduardo? O que você tem? Está doente? Venha para casa comigo, eu cuidarei de você.
- Katie – Disse Eduardo com um fundo pesar em seu coração. – Eu estou com Aids.
Katie se afastou perplexa de Eduardo. Agora era ela que chorava desesperadamente.
- Nunca Katie – Disse Eduardo com uma impertinente tosse – Nunca eu devia ter me afastado de você. Acontece que quando eu recebi a noticia de que eu era positivo, eu me afastei de todo mundo. Meus familiares, meus amigos e a minha razão de viver: você. Eu jamais deveria ter feito isto. Eu deveria ter partilhado com você meu sofrimento. Aposto que você iria me entender. Mas senti vergonha e ódio de mim mesmo. Há três anos e meio eu fui tocado pelo o vírus, e agora estou nos últimos dias de minha vida.
Katie não sabia o que dizer. O relacionamento deles era um relacionamento bem recente. Não tinha nem dois meses. Porém estavam decididos e apaixonados um pelo o outro. Mas agora um triste empecilho impedia a felicidade dos dois.
No restaurante, de repente Eduardo teve um ataque de tosse e, consequentemente, começou a vomitar incessantemente. Katie pediu para alguém chamar uma ambulância. Cerca de cinco minutos depois a ambulância chegou e levou Eduardo para o hospital. Katie lhe acompanhou.
Eduardo teria que passar a noite no hospital, pois estava em uma situação alarmante. Katie pediu aos médicos para que ela dormisse no quarto com o rapaz, porém os médicos lhe acalmaram e disseram para ela voltar para a sua casa, pois no dia seguinte o jovem receberia alta. Katie assentiu. Mas a sua noite foi muito desagradável. Mal conseguia pregar os olhos.
No dia seguinte, o telefone de Katie tocou cedo, às seis e meia da manhã. Era o médico do hospital pedindo para que ela fosse imediatamente para lá, pois Eduardo gritava desesperadamente pelo o seu nome. Katie vestiu-se rapidamente e dirigiu-se ao hospital.
Em sua ida para o hospital, Katie lembrava-se dos seus momentos inesquecíveis com Eduardo. Sentada na janela do ônibus, lembrou-se do primeiro passeio do casal. O primeiro cinema. O primeiro olhar penetrante e enfim, o primeiro beijo.
Ao chegar no corredor do hospital, Katie sentiu suas pernas bambas. Parecia um longo caminho até a chegada do quarto do rapaz. Sua respiração ofegante lhe deixava extasiada. Mas enfim chegou ao leito.
Eduardo estava lá, deitado e com o médico. O médico olhou para Katie e, visivelmente desacreditado, deixou os dois a sós.
- Até que enfim você veio Katie – Disse Eduardo.
- Estou aqui meu amor. O que você deseja de mim?
- Eu só queria me despedir de você.
Os olhos de Eduardo foram morrendo, mas antes de morrer completamente ele proferiu a seguinte frase:
- Nunca deixei de te amar.

Por Patrik Santos

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Você Surgiu



Você surgiu assim, nem imaginava te encontrar. Eu queria partir, agora estou a te procurar...

Não é possível que a felicidade seja rude assim; que precisamos de alguém para ser feliz...

Me lembro do seu olhar, e do seu sorriso.

Queria te ferir, só pra te ver me perdoar, ou talvez fugir, então você me procurar...

Às vezes me pergunto onde é e o que é que estou fazendo aqui...

Eu poderia ser um pássaro, ou uma planta em seu jardim...

Um arco íris no seu lar, e te ver sorrindo...

E como for vou procurar o meu lugar, somente o amor...somente o amor te faz parar.

E reacender, toda esta ilusão não há, desprazer. Nada que possa me afastar...

De você.


De Patrik Santos


sábado, 28 de setembro de 2013

O Meu Braço Direito




Lembro-me da gente naquela casa abandonada, em nossa infância. Foi lá que eu a conheci, tentando assusta-la. Brincávamos a tarde inteira em cima de uma árvore que se localizava do lado da casa. Ficávamos pendurados nela á tarde inteira e contávamos a nossa rotina do dia a dia. Riamos de tudo, logo percebemos que estávamos apaixonados. O nosso amor, no entanto, era um amor tão ingênuo, tão carinhoso um com o outro; o nosso amor foi assim por meses e meses, só troca de olhares afetuosos e dizeres de eu te amo.

Foi quando me enviaram para um internato e me afastaram do meu amor. Chorei noites e dias por falta dela. Sinto que ela sentia a minha falta também. Eu tinha certeza disso. Consegui fugir do internato num dia muito confuso por lá. Eu e mais dois amigos. Voltei para a cidadezinha para reencontrar o meu amor. Ela estava namorando um fino rapaz. Senti tudo desmoronar. Fui para a casa abandonada chorar pelo o meu amor perdido, e foi quando ela voltou para ficar perto de mim. Disse-me que estava morrendo de saudade e nos abraçamos fortemente por vários minutos. Ela me convidou para irmos até a antiga árvore para podemos relembrar a nossa infância.

E foi naquele final de tarde, quando o sol estava se ocultando, que eu escrevi o meu nome e o nome dela naquela árvore. O nosso nome estava dentro de um coração, e assim seria para sempre. E foi naquele mesmo dia, perfeito dia, que nos beijamos pela a primeira vez.

Infelizmente fui servir o exército, pois a guerra precisava de homens para lutar por seu país. Novamente me afastei dela; dessa vez por quase dez anos. Durante este tempo, não parei de escrever para ela. Tenho certeza que ela leu todas as minhas cartas. Parei de escrever quando fui atingindo por uma bomba que caíra do céu. Aquele desastre me fez perder meu braço. Agora eu já não tinha o meu braço direito, mas com certeza o meu amor seria. Quando voltei, o meu amor já estava compromissada. Casada com o mesmo rapaz fino. Eu a perdi. Para sempre. Talvez, ela havia desistido de mim desde o dia em que parei de lhe escrever. Pensou: “ele se foi”.

Mas eu não fui, meu amor. Eu ainda te amo. E muito. Só lhe parei de escrever porque perdi o meu braço direito.

Todos os dias eu visito aquela árvore, que foi o nosso cantinho predileto, e onde nos beijamos pela a primeira e ultima vez.

Você que está lendo este conto, deve estar se perguntando: “que final triste!”. Sim, para mim foi, mas para ela não, pois hoje ela tem lindos filhos e um bom marido que lhe preza muito. Eu, no entanto, estou inválido por perder meus dois braços direitos.

Autor Patrik Santos

UMA PROVA DE AMOR




Há muito tempo atrás, um casal de velhinhos, que não tinham filhos, moravam em uma casinha humilde de madeira, tinham uma vida muito tranquila, alegre, a qual ambos se amavam muito, eram felizes.
Até que um dia aconteceu um acidente com a senhora.
Ela estava trabalhando em sua casa quando começou a pegar fogo na cozinha e as chamas atingem todo o seu corpo.
O esposo acorda assustado com os gritos e vai a sua procura, quando a vê, coberta pelas chamas, imediatamente tenta ajuda-la e o fogo também atinge seus braços e mesmo em chamas consegue apagar o fogo.
Quando chegaram os bombeiros já não havia mais fogo apenas fumaça e parte da casa toda destruída.
Levaram rapidamente o casal para o hospital mais próximo, onde foram internados em estado grave.
Após algum tempo aquele senhor menos atingido pelo fogo saiu da UTI e foi ao encontro de sua amada.
Ainda em seu leito, a senhora toda queimada, pensava em não viver mais, pois estava toda deformada, as chamas queimaram todo o seu rosto. Chegando no quarto de sua senhora, logo ela foi falando:
- Tudo bem com você meu amor? Sim respondeu ele, pena que o fogo atingiu os meus olhos e eu não posso mais enxergar, mas fique tranquila amor, que a sua beleza esta gravada em meu coração para sempre.
Então, triste pelo esposo, disse-lhe:
- Deus, vendo tudo o que aconteceu a meu marido, tirou-lhe as vista para que não se presencie esta deformidade em que eu fiquei.
As chamas queimaram todo o meu rosto e estou parecendo um monstro.
Passando algum tempo recuperados, voltaram para casa onde ela fazia tudo para seu querido esposo e ele todos os dias dizia-lhes, como eu te amo!
E assim viveram 20 anos até que a No dia de seu enterro quando todos se despediam, então veio aquele senhor sem seus óculos escuros e com sua bengala nas mãos, chegou perto do caixão, beijando-o rosto e acariciando sua amada disse em um tom apaixonante:
- "Como você é linda meu amor eu te amo muito".
Ouvindo e vendo aquela cena, um amigo, que estava ao lado, perguntou se o que tinha acontecido era um milagre, e olhando nos olhos dele o velhinho apenas falou:
- "Nunca estive cego, apenas fingia, pois quando a vi toda queimada sabia que seria duro para ela continuar a viver”.
Foram vinte anos vivendo ambos muito felizes e apaixonados!!!

Autor Desconhecido

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Resposta




...E vem como eu mais adoro...me acordando na madrugada! E, despida da vaidade, te espero ansiosa subir. Você me encontra ao natural, agora penso que estamos chegando ao ideal nesse amor...sem horas marcadas... sem datas...porém sugere conversar...Conversar? Conversar!!  Conversar...O quê? O que já sabemos? Fico confusa. Me pega desprevenida. Queria somente te amar naquele momento, pois penso; as palavras já foram todas ditas...Sei que te deixo sem ação...você as queria, vindas de mim! Mas e o medo? O medo de não ouvir aquilo que tanto anseio, sonho e luto por ouvir? Sei que te amo sob qualquer ângulo, te enxergo em tudo...te sinto indefinidamente! Mas temo, pois penso que as palavras tenham que vir de você! Eu já as pronunciei!! Você as rejeitou...por não entender o AMOR...por não saber que força enorme ele tem em nossas vidas! Sem esse amor que sentimos um pelo outro, penso que já nada tem sentido, pois é com esse amor que estamos nos motivando, vivendo nossas mais íntimas dores. É esse amor profundo e verdadeiro que nos acalma a alma! Sim... é assim grande...como você não imaginava viver...e nem eu! Esse é o amor da cura...ele é instigante sim...Chego até a te dizer que não precisamos da tal conversa...ela tem sido feita... você é que não nota! Não nota porque ainda tenta se fragmentar em vários homens pra que eu te entenda...Mas não!! Não é preciso! O homem que eu passei a entender sob diversos e inúmeros ângulos hoje pra mim é um apenas...é o homem que veio para me amar e ser amado infinitamente...

De Solange Lamarca

Trecho e cena vividos por Regis e Solange

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

O Seu Belo Canto




Todas as manhãs um casal de periquitos pousavam no galho de uma árvore, bem em frente a minha janela. Acordavam-me com aquele belo canto. O macho era que sempre cantava; a fêmea nunca. Só lhe ouvia. E eu também. Adorava lhe ouvir. Após o macho terminar seu canto, a fêmea coçava a sua cabeça com seu bico. Era uma linda cena da natureza. Certo dia, não vi o lindo periquito azul, só vi a sua namorada, triste e incrivelmente cantarolando.
- Veja mamãe – Disse eu – A fêmea está cantando. Mas onde está o seu namorado?
- Ele morreu, filho. Seu pai o viu morto após cortar a nossa grama.
Lagrimei, e perguntei chorando a minha mãe:
- Mãe, por que a namorada dele está cantando? Ela nunca cantava.
Minha mãe me olhou triste, e com seus olhos úmidos me respondeu:
- Ela canta de saudade. Canta para que um dia o seu amor volte, e lhe contagie novamente de canções. 

sábado, 3 de agosto de 2013

A Minha Linda Princesa



Todos os dias ela estava ali; sentada em sua janela vendo os transeuntes passar. Foi quando ela me viu. Eu sempre passava por sua calçada e lhe sorria benevolentemente. Ela me sorria de volta. Foi quando ela me convidou para tomar um chá. Aceitei com muito carinho e conversamos por vários minutos em sua janela. A partir de então, eu sempre parava na sua janela para conversar com aquela linda garotinha de aparência triste. Seus pais sempre sorriam quando me viam conversando com ela. Ela tinha poucos amigos, talvez eu lhe fosse o único. Ela nunca saia. Eu sempre a convidava para sairmos, porém ela sempre se recusava. Eu estava apaixonado por aquela garotinha. Eu a chamava de a Minha Linda Princesa. Eu sempre perguntava a minha mãe se havia alguma coisa para comprar, para a pretensão de ver ela. E ela sempre me esperava na janela.

Um dia, eu não a vi na janela. Nem no outro. No quarto dia bati em sua casa e fui recepcionado por sua mãe. “Entre, filho”, disse-me ela. Ao entrar, vi a minha princesa acamada e triste por me ver. “Por que a tristeza, Minha Linda Princesa?”, perguntei-la. “Nada”, disse-me ela. De repente sua mãe a pegou e tentou coloca-la na cadeira de roda. Vi seus olhos brilharem. De vergonha? Não sei, só sei que ela estava indiferente. Recusava-se a se sentar na cadeira de rodas. Ajudei sua mãe a coloca-la, foi quando ela assentiu e sentou-se em sua cadeira de rodas, estado em que estava há cinco anos devido a um acidente de trânsito.

- Por que está triste, Minha Linda Princesa?

- Perdoe-me. Por favor, perdoe-me, meu amor. – Disse-me ela. – Eu deveria ter lhe contado tudo.

Apalpei sua testa e disse-lhe.

- Minha Linda Princesa, o amor é complacente. Benévolo. Ele sempre perdoa. Ele me fez encontrar você, e nada...nada neste mundo afastará eu de você. Eu te amo do jeito que és, do jeito que está e do jeito que estarás. Meu amor por você nunca mudará, pois eu te amo. Você sempre estará em meus braços, até que a morte nos separe.

Hoje a Minha Linda Princesa não está mais comigo. Faleceu aos 77 anos de idade; porém eu tenho orgulho de dizer que fui o homem mais feliz do mundo. Amei-la até os seus últimos momentos de vida. Ela faleceu nos meus braços, como eu a prometi. A morte nos separou, porém não matou a saudade que sinto por ela.

Adeus, Minha Linda princesa.


Por Patrik Santos

quarta-feira, 31 de julho de 2013

O Anjo Negro



E que os sonhos de todos se realizem nessa nova fase de suas vidas!

Nesse momento todos jogaram os seus capelos para cima em um gesto simbólico enquanto tocava aquela trilha sobre vencedores.

Era a formatura do ensino médio de 2010. Todos se sentiam realizados. A maioria empolgada para a universidade. Poly era uma delas. Cursara o ensino médio e já sabia o que queria ser: Psicóloga. Ela nunca errava em nada. Sabia muito bem como traçar o perfil de qualquer pessoa. Bastava olhar o estilo de roupa, ou o jeito como a pessoa penteava o cabelo. Ela sempre dizia que escolhia suas amizades pelos perfis, para ela não existia química ou compatibilidade. Ela escolhera Ana para ser sua melhor amiga pelo simples jeito dela se expressar. O que ela não admitia é que na verdade as duas tinham o mesmo gosto para tudo e que nas vidas passadas chegaram a ser mãe e filha, era o que Ana pensava.

Apesar de traçar perfis com uma facilidade incrível, Poly sabia muito bem como entender uma mente vazia ou complicada. Coisas de psicólogo. Ela nascera para aquilo.

Depois de alguns meses prestou vestibular e é claro, passou. Ela ficou muito feliz, foi homenageada pela família e amigos. Mas o triste e que teria de se mudar para a cidade onde ficava o polo. Mesmo assim Poly e Ana estavam empolgadas. Finalmente morariam sós, seriam independentes, conheceriam gatinhos, beberia e fumariam sem os pais saberem. Enfim, finalmente estavam livres e se sentiam mulheres.

Chegaram à cidade universitária e logo descobriram que sua republica era infestada por pessoas completamente diferentes. Tinha musica de todos os ritmos, estilos diferentes, todas as possíveis e impossíveis opções sexuais. Aquele ambiente fez com que ela sentisse a pior jeca da atualidade. Era do interior, seu estilo era romântico, penteava os cabelos no modo que qualquer pessoa descobriria que era virgem. Baseado em seus conhecimentos, Poly não tinha duvida sobre o perfil daquele lugar: era o inferno.
Resolveu sair para respirar ar puro e se encontrou em um lindo jardim. Ali sim era o paraíso. Tinha poucos jovens deitados no gramado tocando instrumentos. Alguns liam e outros namoravam. Resolveu se sentar perto de um delicado chafariz e ficou a observar os pássaros que bebiam a agua que descia delicadamente de um jarro que a moça triste e escultural segurava.

Sentiu uma brisa quente empurrar seu rosto para a direção mais calma do jardim. Embaixo de um lindo ipê roxo estava ele. O garoto mais lindo que ela já vira em toda a sua vida. Ele era completamente diferente dos rapazes de sua cidade e da faculdade. Tinha o estilo meio gótico, o que logo fez ela deduzir que era solitário. Mas no meio do gótico os óculos faziam o estilo ficar romântico trazendo um fino e delicado retro. Atrás daqueles óculos tinham os mais belos olhos verdes e tristes que ela já tinha visto. Ele era rápido no teclado de seu laptop, seus olhos não piscavam e estavam secos. Percebeu que ele estava ali há muito tempo. Ela queria fotografar aquela imagem linda pra sempre em sua memoria. De repente, uma voz fê-la sair do transe: “meu lindo anjo negro”. Era assim que se referiria á ele. De repente ele olhou para ela de uma forma como se estivesse incomodado com o jeito que ela o observava. Ela sentiu um nó em sua garganta.
A garota saiu correndo pelos corredores da faculdade. Queria gritar, cantar, seu sorriso se esticava de orelha a orelha. Quase derrubou a porta do quarto, não se aguentava de tanta ansiedade para contar a Ana o que havia lhe ocorrido.

‘_Amiga não te conto: encontrei ele! Encontrei o amor da minha vida!’

‘_Ai menina, para. Você mal chegou e já tá achando que ate aqui os meninos te adoram?’

‘_Para Ninha, você sabe que nunca fui popular. Eles e que não me notavam. Só davam atenção pra Tifany e o grupo dela. Esse garoto não. Ele e o garoto mais lindo que já vi em toda minha vida. Mais parece um anjo. Meu lindo anjo negro’ - foi o que pensou enquanto um sorriso escapou de sua linda e delicada boca.

‘_Mas você pelo menos descobriu que curso ele faz, que republica mora? Como ele é?’

‘_Ainda não sei. Ele estava tão lindo em baixo daquela arvore. Parecia uma miragem. Só sei que ele é diferente... É branco, cabelos lisos, um pouco castanhos e seus olhos são o mais puro verde que já vi.’

‘Ai bitchi! Quero ver hein... Pelo jeito deve ser o maior gato.’

Saíram há procura do rapaz em direção ao jardim. Chegaram lá e encontraram apenas a arvore. Já estava escuro e não havia sinal de que alguém passara por ali.

‘_Miga cê deve tá louca ne? Tipo uma abstinência de homem daquelas para imaginar que alguém ficaria nesse lugar horrível e assustador. ’

‘_Ele estava aqui há 5 minutos, juro. Deve ter ido pra republica dele. Vamos procura-lo.’
‘Mas procurar o quê, Poly? Você viu um suposto rapaz. Não sabe sequer o nome dele nem que curso faz. Seria como procurar uma agulha no palheiro. ’

‘_\Eu não vou desistir dele. Sei que de algum jeito eu o encontrarei nesse imenso prédio. Nem que eu tenha de bater de sala em sala. ‘

Naquela primeira noite, Poly não conseguiu dormir. Sentia um frio na barriga só de lembrar-se  daquele olhar.

Começaram as aulas e Poly não o viu mais. Estava á ficar paranoica e desesperada. Qualquer rapaz que via de costas que se parecesse um pouquinho com seu amado ela esbarrava pra ver se era ele, mas se decepcionava ao descobrir que não. A saudade foi tomando conta do seu coração. Já se passara um mês e nunca mais ela o encontrara. Já havia pintado seu lindo rosto por todo o quarto. Ana tentava encoraja-la lhe apresentando os novos amigos de sua turma, mas Poly não queria saber de mais ninguém. Sentia febre e a noite sonhava como seria se eles ficassem juntos.

Em um dia frio Poly caminhava pelo corredor em direção á aula quando passou em frente ao jardim. Viu uma pessoa bem longe sentada perto do chafariz. Resolveu ir ate lá, afinal o que uma pessoa faria sentada ao ar livre em dia frio? Os pensamentos corroíam a cabeça de Poly. Foi se aproximando e percebeu que se tratava de um rapaz. Chegou por trás e para chamar a atenção e não assusta-lo deu uma ‘coçada na garganta’:

‘_Com licença, você esta esperando por alguém? ‘

O rapaz se virou e Poly sentiu suas pernas tremerem. Era ele. Sentiu um frio na barriga. Poly queria sumir, mas ao mesmo tempo não queria que aquela linda imagem acabasse nunca. Ele estava mais lindo que a primeira vez. E agora tão perto que Poly não sabia o que dizer.

- Estou esperando por uma pessoa, porém não sei se ela virá.. – Disse o rapaz.

- Ah, perdão. Desculpe, eu não quis lhe machucar mais ainda.

- Não tem problema. Prazer, meu nome é Wilton.

- Prazer, Poly.

Os opostos realmente se atraem. Poly, com seus trajes rústicos, agradava solenemente o rapaz; via em seu olhar a mais pura simplicidade que um ser humano pode obter. Já Poly, observadora como sempre foi, tentava decifrar aqueles olhos tristes e cabisbaixos que se ocultavam ao menear a cabeça para o céu. Parecia ser um garoto tímido e muito pouco extrovertido. Escondia-se nas músicas que escutava e nas amizades de internet que muito frequentava. Sofria por dentro, e isto estava nítido em seus olhos. Mas aqueles trejeitos eram óbvios. Poly queria entender o seu interior e não conseguia.

Todas as tardes, Poly sentava naquele jardim e conversava com o garoto até o crepúsculo se aparecer.
Estavam apaixonados.

Certo dia, em que Poly pesquisava sobre um trabalho na biblioteca da escola, deparou-se com um jornal da escola que estampava a foto de Wilton em sua capa. “Garoto se suicida após término de relacionamento”. Poly caiu da cadeira e vários alunos riram. “Não pode ser”, dizia ela. Poly foi correndo para o jardim, e quando chegou lá viu o garoto sorrindo e a se desaparecer lentamente, lentamente, até se dissipar por completo. No chão úmido, Poly leu uma mensagem: “Obrigado por me fazer amar de novo. Deus me deu mais uma chance de viver. Eu não poderia ir para o céu, pois eu fui um suicida, mas ele me enviou você, e acreditava no amor que sempre guardei em mim. Não podemos morrer sem antes encontrar a nossa alma gêmea. Você é a minha, e estarei ao seu lado sempre que precisares de mim; Adeus!”.


“Adeus, meu lindo anjo negro”, disse Poly sorrindo para o céu.

Por Ana Meireles

quarta-feira, 17 de julho de 2013

A garota da internet



Eu andava muito deprimido, meu jovem, pois a minha namorada havia me traído com um cara que se dizia muito meu amigo. Aquilo era uma traição e eu jamais poderia lhes perdoar.

O mundo havia desabado em minha cabeça.

Passei dias sem me alimentar direito. A insônia foi a minha companheira por várias noites. Corpos estranhos se apossuíram de mim.

Sofri uma mutação devastadora.

Para me desvencilhar daquele espetáculo nada apreciador, eu comecei a usar a internet para amenizar o meu sofrimento. A recomendação viera de um amigo meu. A minha insônia só fez aumentar, pois eu ficava horas em frente ao computador conversando imoralidades e me masturbando só para sentir prazer. Dias depois, eu excluía a pessoa e começava uma nova amizade. E assim sucessivamente. De fato aquilo estava acabando comigo.

Foi quando eu a conheci, meu amigo. Linda! Olhos redondos como a de um desenho japonês, um sorriso daquele que não expõe os dentes, um rostinho de menina, porém o corpo já era de uma linda mulher.
Era uma garota perfeita para preencher a lacuna que me faltava.

Inteligentíssima! Ela me decifrou apenas pelo o seu vasto conhecimento de astronomia. Eu fiquei apaixonado por ela. Chorava em minha cama quando ela não ligava a noite. Morava tão longe mim. Mas por morar tão longe assim, não deveria sumir.

Um dia resolvemos nos encontrar. Marcamos no aeroporto, pois eu iria lhe apanhar. Ela não apareceu. Liguei para ela, mas deu número inexistente. Meu coração apertou meu peito a ponto de sufocar-me.
Fui para a casa. Entrei no meu computador para procurar o seu email e não encontrei. A sua rede social havia sumido. Pesquisei a nossa conversa gravada em meu computador e estranhamente não encontrei. Ela sumiu de mim, amigo.

Todo aquele espetáculo, nada apreciador, voltou. Cheguei a pesar quarenta e cinco quilos. Perdi líquidos e mais líquidos por chorar incessantemente. Senti fortes dores no meu corpo. Minha cabeça flutuava. Parecia que ela não estava fincada em meu pescoço. Tentei todas as noites viajar para os braços dela através da viagem astral. Porém eu nunca a encontrava. Ela havia realmente sumido.

- O que você acha de tudo isso, doutor? – Perguntou deitado em um sofá da clínica o autor desta historia.

-  Você parece lúcido perante tudo o que diz. Mas você não mostra certeza em suas palavras. Você chega a hesitar sobre tudo isso que aconteceu com você.

O autor da historia parecia não entender nada no que o doutor lhe falava. Parecia que realmente a sua cabeça não estava fincada em seu pescoço.

- Você tem alguma prova que essa moça existiu? – Perguntou o doutor.

- Nenhuma. – Respondeu o autor.

- Então chego à conclusão de que esta moça não existiu. Foi apenas uma criação do seu desespero de conhecer alguém. Ela é a sua criação, meu amigo. Ela não existe. Sinto muito! Casos como o seu são normais em minha clínica.

O autor desta historia colocou as mãos em sua cabeça e a sacudiu violentamente. Parecia não acreditar na mais pura verdade que o doutor lhe dizia.

“A solidão é uma forma de opressão. No meio de tantas pessoas supérfluas, acabei conhecendo uma pessoa perfeita. Essa pessoa, no entanto, não passava de uma criação da utopia do meu ingênuo desejo de apreciação e devoção.”

Quinze dias depois, o autor deste conto se internou na clínica com um avançado estado de loucura. forma de opress

Autor: Patrik Silva