quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Sentado na Praça




A jovem Glória, mãe de Adriana, voltaria a visitar, depois de quinze anos, uma pequena cidade em que quando adolescente sempre viajava para passar suas férias.
Pouca coisa havia mudado por ali. Glória se lembrava de cada lugarzinho que viveu naquela cidade durante a sua adolescência. Contava toda a sua lembrança para a sua filha de doze anos que passeavam juntas a pé pela cidade.
Ao passar por uma praça, que era um dos lugares que Glória mais se lembrava, viu um homem que estava sentado bem no banco da praça e que se recordou vagamente. Tentou buscar em suas reminiscências de onde o conhecia. O homem estava com uma aparência impecável e parecia estar vestido para um encontro.
Enfim lembrou-se de onde o conhecia. Sim, Glória e ele namoraram durante um mês em que ela passou na cidade. E aquele mês foi o último de sua adolescência por lá. “Muito tempo se passou”, disse ela a si mesma. “Ele mudou pouca coisa”.
Adriana olhou para aquele homem sentado no banco da praça, e perguntou o seguinte para a sua mãe:

- Conhece aquele homem, mãe?

A mãe olhou para a filha que a interrogava seriamente e disse:

- Não filha. Não me lembro.

- Os olhos dele são tão tristes. Posso ir até lá e perguntar qual o motivo de sua tristeza? – Disse a menina.

- Não filha. Melhor não. Deixe-o para lá.

Adriana ficou comovida com aquele olhar do homem. Pensou naqueles olhos tristes o dia todo. Não conseguia esquecê-lo.
Glória também pensou nele o dia todo. A praça era o local preferido do casal quando namoravam. Naquele banco, em que ele estava sentado, era o cantinho em que eles sempre se encontravam. Aquele banco era o ponto de encontro do casal. E foi naquele banco que Glória se despediu do homem. Foi lá que ele á viu pela a última vez.
Passaram lindos momentos juntos. Momentos que ficaram gravados para sempre na memória de Glória. Foi difícil de esquecê-lo. Seus pais a proibiam de ver aquele rapaz. Não queriam que aquele namorinho de verão fosse adiante. Tinham projetos para Glória. Projetos que foram conquistados graças á eles. Porém Glória estava apaixonada por aquele rapaz e não aceitava as ordens dos seus pais. Queria ir adiante com ele, não queria jamais abandona-lo. Foi quando os pais de Glória tomaram medidas drásticas. No mesmo dia em que Glória prometeu aos seus pais que jamais  abandonaria ele, seus pais arrumaram as malas e voltaram para a terra natal. Prometeram a Glória que nunca mais voltariam para aquela cidade. E foi o que aconteceu. Glória sumiu do homem. Porém nunca esqueceu aquele romance de verão.
Antes de deixar a cidade, Glória marcou um encontro de despedidas com o rapaz. Tentou se lembrar do que falou para ele naquele dia, porém não conseguiu. Tinha que esquecer tudo isto, afinal estava casada e amava o seu esposo e sua filha.
No dia seguinte, Adriana e algumas amigas passeavam naquela mesma praça; e quando Adriana perguntou se elas conheciam aquele homem de olhar triste, elas ficaram estranhas e com medo.

- Minha mãe disse para eu não chegar perto dele. – Disse uma.

- Ele é apenas um louco. Minha mãe me disse que já faz quinze anos que ele fica sentado nesta praça dando milho aos pombos. É inofensivo. – Disse outra.

- Vou até lá falar com ele. – Disse Adriana.

- Melhor não Adriana.

- Ela é louca. – Disse as amigas.
Adriana aproximou-se do homem que estava novamente muito bem vestido e disse:

- Olá. Tudo bem?
O homem a olhou e notou nela uma forte semelhança com alguém que ele desejava muito se encontrar novamente.

- Olá. Tudo bem sim minha filha. – Disse o homem.

- Você parece triste. Posso saber o motivo da sua tristeza?
O homem olhou admirado e se espantou com a preocupação da menina. Olhou em seus olhos e disse:
- Sim minha filha. Vou lhe contar: Á quinze anos atrás eu conheci uma pessoa que eu posso dizer que foi o único amor da minha vida. Mas ela foi embora de mim. Nunca mais eu a vi desde então. Porém, antes dela partir, ela me disse para que eu a esperasse no mesmo lugar em que nos conhecemos que um dia ela voltaria para mim.

De Patrik Santos

Nunca deixei de te amar


 


1987
O telefone de Katie toca. Fazia semanas que não escutava este som. Sentia-se esquecida até pela a sua família.
Lembrou-se tristemente de uns dois meses atrás quando o seu telefone tocava diariamente, e nessas constantes ligações, era a pessoa a quem ela mais amava no mundo.
Essa pessoa, no entanto, havia sumido da sua vida inexplicavelmente. Mas agora estava no telefone querendo falar com Katie.
- Alô, Katie – Disse a voz pelo o telefone.
- Eduardo? – Disse Katie espantada.
- Oi Katie. É ele mesmo. Queria muito falar com você.
- Acho que já não temos mais nada para se falar, Eduardo. Adeus!
- Não Katie. Por favor. Não desligue o telefone. Eu preciso muito falar com você. Por favor.
- O que você quer Eduardo! – Perguntou a moça na iminência de um agudo choro.
- Preciso falar com você, Katie. Mas tem que ser pessoalmente. Poderíamos nos encontrar?
Katie hesitou por uns segundos, mas enfim, precisava de uma explicação. Uma pessoa não pode se afastar da outra sem ao menos lhe dar uma razão. Certo que muitas pessoas no mundo terminam uma relação sem ao menos dizer adeus. Apenas somem de nossas vidas. Mas no caso de Eduardo era completamente diferente; ele sumiu da moça no auge do relacionamento sério que eles tinham. Eles Haviam trocado até ideias sobre um possível noivado. Diziam abraçado um ao outro que queriam ter um casal de filhos e inclusive cogitavam nomes para estes. Sim, Katie precisava de uma explicação pelo o término de seu relacionamento.
Enfim marcaram um encontro no dia seguinte em um restaurante no centro da cidade. Eduardo foi o primeiro a chegar. Estava sentado na mesa com uma boina cor cinza. Vestia uma longa camisa social de mangas compridas. Diversas vezes o garçom viera a sua mesa para lhe servir, mas este dissera sempre que só pediria quando a sua companhia chegasse.
Enfim Katie chegou ao restaurante. Ficou nas pontas dos pés para procurar Eduardo. Quando Katie o enxergou teve um choque em seu corpo. Eduardo não era o mesmo homem de antes. Aproximou-se da mesa, lhe cumprimentou e sentou-se.
- O que houve com você Eduardo? Por que está tão abatido assim?
O rapaz segurou as suas mãos, mas Katie o repeliu subitamente. As mãos do rapaz estavam tão geladas que parecia que estava morto. Os olhos de Eduardo começaram a ficar úmidos, e algumas lágrimas eram perceptíveis em seus olhos.
Eduardo sempre mantinha a sua cabeça baixa. De repente olhou tristemente para Katie, e as lágrimas cederam-se como uma cascata; tirou sua boina e Katie teve novamente outro espanto. Os cabelos de Eduardo estavam tão ralos e seu rosto tão abatido como se estivesse nos seus últimos dias de vida. Olhou no fundo dos olhos de Katie e disse-lhe:
- Katie, eu jamais te esqueci. Nunca deixei de te amar. Meus planos com você não foram palavras ao vento. Foram palavras sinceras de um sentimento que eu jamais havia sentido por alguém. Até encontrar você.
Katie lhe olhava com uma felicidade indizível. Seus olhos também começaram a lagrimar.
- Por que você sumiu de mim, Eduardo? Eu também nunca te esqueci, e nunca, jamais me afastaria de você. Jamais.
De repente um súbito ataque de choro se apossuiu de Eduardo. Katie, preocupada, pediu ao garçom um copo de água com açúcar. Katie acariciava os finos cabelos de Eduardo.
- O que há com você Eduardo? O que você tem? Está doente? Venha para casa comigo, eu cuidarei de você.
- Katie – Disse Eduardo com um fundo pesar em seu coração. – Eu estou com Aids.
Katie se afastou perplexa de Eduardo. Agora era ela que chorava desesperadamente.
- Nunca Katie – Disse Eduardo com uma impertinente tosse – Nunca eu devia ter me afastado de você. Acontece que quando eu recebi a noticia de que eu era positivo, eu me afastei de todo mundo. Meus familiares, meus amigos e a minha razão de viver: você. Eu jamais deveria ter feito isto. Eu deveria ter partilhado com você meu sofrimento. Aposto que você iria me entender. Mas senti vergonha e ódio de mim mesmo. Há três anos e meio eu fui tocado pelo o vírus, e agora estou nos últimos dias de minha vida.
Katie não sabia o que dizer. O relacionamento deles era um relacionamento bem recente. Não tinha nem dois meses. Porém estavam decididos e apaixonados um pelo o outro. Mas agora um triste empecilho impedia a felicidade dos dois.
No restaurante, de repente Eduardo teve um ataque de tosse e, consequentemente, começou a vomitar incessantemente. Katie pediu para alguém chamar uma ambulância. Cerca de cinco minutos depois a ambulância chegou e levou Eduardo para o hospital. Katie lhe acompanhou.
Eduardo teria que passar a noite no hospital, pois estava em uma situação alarmante. Katie pediu aos médicos para que ela dormisse no quarto com o rapaz, porém os médicos lhe acalmaram e disseram para ela voltar para a sua casa, pois no dia seguinte o jovem receberia alta. Katie assentiu. Mas a sua noite foi muito desagradável. Mal conseguia pregar os olhos.
No dia seguinte, o telefone de Katie tocou cedo, às seis e meia da manhã. Era o médico do hospital pedindo para que ela fosse imediatamente para lá, pois Eduardo gritava desesperadamente pelo o seu nome. Katie vestiu-se rapidamente e dirigiu-se ao hospital.
Em sua ida para o hospital, Katie lembrava-se dos seus momentos inesquecíveis com Eduardo. Sentada na janela do ônibus, lembrou-se do primeiro passeio do casal. O primeiro cinema. O primeiro olhar penetrante e enfim, o primeiro beijo.
Ao chegar no corredor do hospital, Katie sentiu suas pernas bambas. Parecia um longo caminho até a chegada do quarto do rapaz. Sua respiração ofegante lhe deixava extasiada. Mas enfim chegou ao leito.
Eduardo estava lá, deitado e com o médico. O médico olhou para Katie e, visivelmente desacreditado, deixou os dois a sós.
- Até que enfim você veio Katie – Disse Eduardo.
- Estou aqui meu amor. O que você deseja de mim?
- Eu só queria me despedir de você.
Os olhos de Eduardo foram morrendo, mas antes de morrer completamente ele proferiu a seguinte frase:
- Nunca deixei de te amar.

Por Patrik Santos

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Você Surgiu



Você surgiu assim, nem imaginava te encontrar. Eu queria partir, agora estou a te procurar...

Não é possível que a felicidade seja rude assim; que precisamos de alguém para ser feliz...

Me lembro do seu olhar, e do seu sorriso.

Queria te ferir, só pra te ver me perdoar, ou talvez fugir, então você me procurar...

Às vezes me pergunto onde é e o que é que estou fazendo aqui...

Eu poderia ser um pássaro, ou uma planta em seu jardim...

Um arco íris no seu lar, e te ver sorrindo...

E como for vou procurar o meu lugar, somente o amor...somente o amor te faz parar.

E reacender, toda esta ilusão não há, desprazer. Nada que possa me afastar...

De você.


De Patrik Santos


sábado, 28 de setembro de 2013

O Meu Braço Direito




Lembro-me da gente naquela casa abandonada, em nossa infância. Foi lá que eu a conheci, tentando assusta-la. Brincávamos a tarde inteira em cima de uma árvore que se localizava do lado da casa. Ficávamos pendurados nela á tarde inteira e contávamos a nossa rotina do dia a dia. Riamos de tudo, logo percebemos que estávamos apaixonados. O nosso amor, no entanto, era um amor tão ingênuo, tão carinhoso um com o outro; o nosso amor foi assim por meses e meses, só troca de olhares afetuosos e dizeres de eu te amo.

Foi quando me enviaram para um internato e me afastaram do meu amor. Chorei noites e dias por falta dela. Sinto que ela sentia a minha falta também. Eu tinha certeza disso. Consegui fugir do internato num dia muito confuso por lá. Eu e mais dois amigos. Voltei para a cidadezinha para reencontrar o meu amor. Ela estava namorando um fino rapaz. Senti tudo desmoronar. Fui para a casa abandonada chorar pelo o meu amor perdido, e foi quando ela voltou para ficar perto de mim. Disse-me que estava morrendo de saudade e nos abraçamos fortemente por vários minutos. Ela me convidou para irmos até a antiga árvore para podemos relembrar a nossa infância.

E foi naquele final de tarde, quando o sol estava se ocultando, que eu escrevi o meu nome e o nome dela naquela árvore. O nosso nome estava dentro de um coração, e assim seria para sempre. E foi naquele mesmo dia, perfeito dia, que nos beijamos pela a primeira vez.

Infelizmente fui servir o exército, pois a guerra precisava de homens para lutar por seu país. Novamente me afastei dela; dessa vez por quase dez anos. Durante este tempo, não parei de escrever para ela. Tenho certeza que ela leu todas as minhas cartas. Parei de escrever quando fui atingindo por uma bomba que caíra do céu. Aquele desastre me fez perder meu braço. Agora eu já não tinha o meu braço direito, mas com certeza o meu amor seria. Quando voltei, o meu amor já estava compromissada. Casada com o mesmo rapaz fino. Eu a perdi. Para sempre. Talvez, ela havia desistido de mim desde o dia em que parei de lhe escrever. Pensou: “ele se foi”.

Mas eu não fui, meu amor. Eu ainda te amo. E muito. Só lhe parei de escrever porque perdi o meu braço direito.

Todos os dias eu visito aquela árvore, que foi o nosso cantinho predileto, e onde nos beijamos pela a primeira e ultima vez.

Você que está lendo este conto, deve estar se perguntando: “que final triste!”. Sim, para mim foi, mas para ela não, pois hoje ela tem lindos filhos e um bom marido que lhe preza muito. Eu, no entanto, estou inválido por perder meus dois braços direitos.

Autor Patrik Santos

UMA PROVA DE AMOR




Há muito tempo atrás, um casal de velhinhos, que não tinham filhos, moravam em uma casinha humilde de madeira, tinham uma vida muito tranquila, alegre, a qual ambos se amavam muito, eram felizes.
Até que um dia aconteceu um acidente com a senhora.
Ela estava trabalhando em sua casa quando começou a pegar fogo na cozinha e as chamas atingem todo o seu corpo.
O esposo acorda assustado com os gritos e vai a sua procura, quando a vê, coberta pelas chamas, imediatamente tenta ajuda-la e o fogo também atinge seus braços e mesmo em chamas consegue apagar o fogo.
Quando chegaram os bombeiros já não havia mais fogo apenas fumaça e parte da casa toda destruída.
Levaram rapidamente o casal para o hospital mais próximo, onde foram internados em estado grave.
Após algum tempo aquele senhor menos atingido pelo fogo saiu da UTI e foi ao encontro de sua amada.
Ainda em seu leito, a senhora toda queimada, pensava em não viver mais, pois estava toda deformada, as chamas queimaram todo o seu rosto. Chegando no quarto de sua senhora, logo ela foi falando:
- Tudo bem com você meu amor? Sim respondeu ele, pena que o fogo atingiu os meus olhos e eu não posso mais enxergar, mas fique tranquila amor, que a sua beleza esta gravada em meu coração para sempre.
Então, triste pelo esposo, disse-lhe:
- Deus, vendo tudo o que aconteceu a meu marido, tirou-lhe as vista para que não se presencie esta deformidade em que eu fiquei.
As chamas queimaram todo o meu rosto e estou parecendo um monstro.
Passando algum tempo recuperados, voltaram para casa onde ela fazia tudo para seu querido esposo e ele todos os dias dizia-lhes, como eu te amo!
E assim viveram 20 anos até que a No dia de seu enterro quando todos se despediam, então veio aquele senhor sem seus óculos escuros e com sua bengala nas mãos, chegou perto do caixão, beijando-o rosto e acariciando sua amada disse em um tom apaixonante:
- "Como você é linda meu amor eu te amo muito".
Ouvindo e vendo aquela cena, um amigo, que estava ao lado, perguntou se o que tinha acontecido era um milagre, e olhando nos olhos dele o velhinho apenas falou:
- "Nunca estive cego, apenas fingia, pois quando a vi toda queimada sabia que seria duro para ela continuar a viver”.
Foram vinte anos vivendo ambos muito felizes e apaixonados!!!

Autor Desconhecido

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Resposta




...E vem como eu mais adoro...me acordando na madrugada! E, despida da vaidade, te espero ansiosa subir. Você me encontra ao natural, agora penso que estamos chegando ao ideal nesse amor...sem horas marcadas... sem datas...porém sugere conversar...Conversar? Conversar!!  Conversar...O quê? O que já sabemos? Fico confusa. Me pega desprevenida. Queria somente te amar naquele momento, pois penso; as palavras já foram todas ditas...Sei que te deixo sem ação...você as queria, vindas de mim! Mas e o medo? O medo de não ouvir aquilo que tanto anseio, sonho e luto por ouvir? Sei que te amo sob qualquer ângulo, te enxergo em tudo...te sinto indefinidamente! Mas temo, pois penso que as palavras tenham que vir de você! Eu já as pronunciei!! Você as rejeitou...por não entender o AMOR...por não saber que força enorme ele tem em nossas vidas! Sem esse amor que sentimos um pelo outro, penso que já nada tem sentido, pois é com esse amor que estamos nos motivando, vivendo nossas mais íntimas dores. É esse amor profundo e verdadeiro que nos acalma a alma! Sim... é assim grande...como você não imaginava viver...e nem eu! Esse é o amor da cura...ele é instigante sim...Chego até a te dizer que não precisamos da tal conversa...ela tem sido feita... você é que não nota! Não nota porque ainda tenta se fragmentar em vários homens pra que eu te entenda...Mas não!! Não é preciso! O homem que eu passei a entender sob diversos e inúmeros ângulos hoje pra mim é um apenas...é o homem que veio para me amar e ser amado infinitamente...

De Solange Lamarca

Trecho e cena vividos por Regis e Solange

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

O Seu Belo Canto




Todas as manhãs um casal de periquitos pousavam no galho de uma árvore, bem em frente a minha janela. Acordavam-me com aquele belo canto. O macho era que sempre cantava; a fêmea nunca. Só lhe ouvia. E eu também. Adorava lhe ouvir. Após o macho terminar seu canto, a fêmea coçava a sua cabeça com seu bico. Era uma linda cena da natureza. Certo dia, não vi o lindo periquito azul, só vi a sua namorada, triste e incrivelmente cantarolando.
- Veja mamãe – Disse eu – A fêmea está cantando. Mas onde está o seu namorado?
- Ele morreu, filho. Seu pai o viu morto após cortar a nossa grama.
Lagrimei, e perguntei chorando a minha mãe:
- Mãe, por que a namorada dele está cantando? Ela nunca cantava.
Minha mãe me olhou triste, e com seus olhos úmidos me respondeu:
- Ela canta de saudade. Canta para que um dia o seu amor volte, e lhe contagie novamente de canções.